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(d)Eficiente Dona de Casa

Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

(d)Eficiente Dona de Casa

Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

Internamento #final

17.10.19

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Finalmente estou em casa e pensei "Ok estou em casa finalmente e vou voltar ao normal", só que não.

 

Uma pessoa volta para casa e parece que acabou de chegar de uma nave espacial e que de vez em quando fica parada do cérebro (devido às experiências na nave), dei por mim a lavar a loiça e a meio já não saber o que estava a fazer, chorar por tudo e por nada e com paragens repentinas sem reparar que estava parada a olhar para o nada. E às vezes pensas "Era suposto estares feliz, estás finalmente em casa" , "Deves estar a ficar maluca", mas acho que não estou assim tão maluca ainda, acho que finalmente me deixei ir a baixo. Num hospital nunca se está sozinha, não se faz nada sem ter alguém a passar ou a bater a porta (até quando vamos à casa de banho) e mesmo assim sentia-me muito sozinha, os profissionais de saúde que de profissionais tinham pouco, sem as minhas adaptações em casa que me fazia sentir mais independente, nós não somos nós, e acabei por me aguentar o tempo todo a pensar que era mais um dia, mais uma noite, só mais qualquer coisa e a pensar "Não podes chorar porque se não lá vem a psicóloga falar contigo", e assim fui-me aguentando.

 

Só quando cheguei a casa é que tive consciência de como realmente o inferno (como chamo ao internamento) me afectou, afectou-me profundamente e só quero voltar ao meu normal. Já vou conseguindo fazer algumas coisas, mas nem todo vai voltar a ser como era, dizem que somos o resultado das experiências que passamos e espero que no final, quando recuperar, só fique mais vontade de viver e aproveitar o tempo junto daqueles que mais amo. Agora é ser paciente comigo mesmo e aproveitar este tempo em casa para fazer as coisas que gosto e relembrar-me do que é ser eu. 

 

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