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D(eficiente) Dona de Casa

Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

D(eficiente) Dona de Casa

Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

Dicas para Aceitação


04.05.18

Sendo deficiente muitas das vezes é mais fácil a gente tentar ser o que esperam de nós. Achamos muitas vezes que não somos capazes, que não temos valor, que os nossos próprios sentimentos não são válidos. Que por sermos deficientes, não temos direito a uma vida como toda a gente. A sociedade tem tendência a induzir-nos este tipo de sentimentos.

 

Quando era mais nova, raramente saía de casa, a não ser para a escola (porque era obrigatório), lembro-me de sair com a minha mãe várias vezes para ir ao supermercado e chegar a casa cheia de um sentimento de raiva, pensar que não voltaria a ir ao supermercado. As pessoas estavam constantemente a olhar para mim, faziam-me sentir que era um ET vindo diretamente de Marte para vir às compras. Esses olhares insistentes e muitas das vezes maldosos, magoavam. Os comentários que recebia regularmente de senhoras desconhecidas na rua "Oh coitadinha, tenho tanta pena de si...", ainda hoje não entendo esses comentários. Nas palavras da minha mãe "Penas têm as galinhas." e  era assim. Felizmente, a minha mãe continuava a obrigar-me a ir com ela, se não talvez hoje em dia viveria fechada em casa por opção, se ficasse em casa nunca teria a oportunidade de chegar a conclusão que a culpa não era minha. Que ser diferente não era um problema. A adolescência é uma altura complicada e muitas das vezes temos tendência a olhar para nós através dos olhos dos outros.

 

Hoje em dia entendo que o que interessa não é o que as pessoas pensam de mim, o que interessa é eu ser verdadeira comigo. Saber quem sou, uma aprendizagem que é constante. E não deixar que a deficiência me defina como pessoa. Eu sou eu, com defeitos, qualidades e uma vida como toda a gente. Claro que não me insiro em estereótipos de modelos, mulheres altas e lindas que trabalham e são exemplos de mulheres. Mas se pensarmos bem, quem é que se insere? Podem não andar com uma cadeira de rodas, ou muletas atrás, mas podem ter óculos, aparelho, cabelos desgrenhados ou ter um corpo diferente, no entanto podem ser mulheres exemplares, mulheres com valor e mulheres excecionais. E temos de aprender a acreditar no excecional que cada um de nós é. Assim vamos a umas dicas que me ajudaram a ver-me como sou.

 

Dicas de aceitação:

1- Não nos compararmos com outros, somos todos diferentes.

2- Todos os dias tente encontrar algo que goste em si. O cabelo, os olhos... Qualquer coisa

3- Tente manter-se ativo. Sempre que conseguir faça algo que goste, ler, bricolage, jardinagem, qualquer coisa..

4- Nunca se esqueça que não está sozinho, o suporte que tem em casa é essencial e não podemos nunca nos esquecer deles, nos bons e nos maus momentos.

5- Lembre-se sempre que merece ser feliz, toda a gente merece ser feliz.

 

Cada um é como é, e até que nós não aprendemos a aceitar-nos como somos, ficamos presos no que os outros pensam de nós. Como somos por inteiro, com defeitos e qualidades, com tudo o que achas que está mal no teu corpo. Não é fácil claro, mas vale a pena tentar. Gostaram das dicas? Digam-me o que acharam..

 

Aceitação.jpg

 Imagem internet

 

 

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