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(d)Eficiente Dona de Casa

Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

(d)Eficiente Dona de Casa

Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

Discriminação Presidencias 2021

20.01.21

"AQUELES QUE NEM À DEMOCRACIA INTERESSAM - PARA QUE NO PRÓXIMO DOMINGO NINGUÉM TENHA DE PASSAR PELA HUMILHAÇÃO DE VOTAR NA RUA
Sou uma cidadã com deficiência motora e, como é meu dever, conheço a Constituição da República Portuguesa. Sei que de acordo com o n.°3 do artigo 121°da Nossa Constituição, na eleição para a Presidência da República, o direito de voto no território nacional é exercido presencialmente.


Sou uma cidadã com deficiência motora que, apesar dos inúmeros avisos que esta Pandemia já nos deixou a respeito da nossa invisibilidade perante respostas que se exigem para todos, escolhi, mais uma vez, confiar no Estado Português e esperar por uma resposta adequada para votar às inumeras pessoas com deficiência às quais, desde Março do ano passado, se pede que se confinem profilaticamente, que diminuam ao máximo os contactos com terceiros (mesmo sendo esses terceiros imprescindíveis para o assegurar das nossas necessidades básicas), que passem a exercer preferencialmente em teletrabalho e que abdiquem de qualquer evento familiar ou social em prole da protecção da sua saúde.


Sou uma cidadã com deficiência motora, dando o benefício da dúvida por estarmos a viver um estado de emergência sem precedentes nos meus 36 anos, acreditei ser importante para o meu Estado e fui votar antecipadamente de forma a minimizar contactos no dia das eleições.
Sou uma cidadã com deficiência motora a quem a condição financeira ainda não permite ter carro próprio e, por isso, tive de ir votar de táxi.
Sou uma cidadã com deficiência motora que, como boa cumpridora que é, se dirige à Reitoria da Cidade Universitária, conforme declarado no documento e SMS que a Administração Eleitoral me enviou.
Sou uma cidadã com deficiência motora que vai consultar a sua mesa de voto e pensa que basta procurar o seu nome por ordem alfabética para saber onde votar.
Sou uma cidadã com deficiência motora que, rapidamente repara que todas as outras centenas de pessoas que ali estavam, tinham recebido SMS para o mesmo local mas que os nomes estavam distribuídos em mesas de voto por TODO O CAMPUS UNIVERSITÁRIO.
Sou uma cidadã com deficiência motora, com um corpo com muita personalidade onde, quando o frio ataca, a espasticidade instala-se e fico em modo "carapau seco" ao ponto de quase não conseguir tocar no comando da cadeira eléctrica.


Sou uma cidadã com deficiência motora cujo nome indicava ter de votar, afinal, na Faculdade de Letras.
Sou uma cidadã com deficiência motora que, após conseguir passar pela imensidão de pessoas nas variadas filas, exerce o seu direito de prioridade para evitar ao máximo estar exposta, entro finalmente na sala onde iria votar e é-me explicado que pessoas com voto antecipado em mobilidade têm salas específicas por região e que a minha seria na antiga cantina.
Sou uma cidadã com deficiência motora que, após atravessar todo o campus universitário para chegar à antiga cantina, vejo escadaria por todo o lado e percebo que terei de entrar por uma qualquer entrada secundária.


Sou com deficiência motora que, precavida (e privilegiada por ter) levou a sua assistente pessoal que conseguiu chegar a uma pessoa do staff, no cimo da escadaria e que me acompanhou pelo caminho "alternativo".
Sou uma cidadã com deficiência motora que, ao chegar à sala de voto repara que a mesma tem 4 degraus para descer. Mas sou uma cidadã com deficiência motora até sortuda porque - como quase sempre - há uma porta alternativa que só tem um "degrauzinho".
Sou uma cidadã com deficiência motora que, para não ter de estar a explicar o ridículo, humilhação e falta de distância profilatica a que foi alvo em tempo de pandemia, gravei e exponho neste post.


Sou uma cidadã com deficiência motora que 1h15m depois conseguiu votar...na rua, sem qualquer mesa de suporte para colocar o boletim e os 2 envelopes, completamente exposta aos olhares de quem assim o quisesse.
Sou uma cidadã com deficiência motora que 1h37m depois conseguiu voltar ao táxi para regressar a casa, com o taximetro a marcar 34,50€.
Sou hoje uma cidadã com deficiência com a absoluta certeza de ser completamente ignorada pelo seu país!" Autora Diana Santos 

Como é possível o próprio governo não faça cumprir as leis que aprova? Direito a votar é só para alguns, acessibilidade é uma miragem...

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