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(d)Eficiente Dona de Casa

Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

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Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

Eutanásia ou morte assistida


30.05.18

Vida.jpg

 Imagem deste site

 

Assusto que está agora em discussão. Será que devemos permitir que as pessoas tenham o direito a uma morte assistida? As opiniões divergem e entendo que seja um assunto que tenha várias opiniões, assim vou dar a minha.

 

Sendo portadora de uma doença degenerativa eu sei o que me pode acontecer no futuro, o futuro para mim pode ter várias repercussões na minha saúde. Não nos vamos iludir, toda a gente tem a opção de acabar com a vida. Pode sempre fazer um suicídio, a vida é de cada um e cada um tem essa opção. Mas no caso de pessoas com doenças terminais ou pessoas que o estado de saúde se tenha degradado tanto que não sejam capazes de o fazer elas próprias, poder ter a opção de ter uma morte que seja promovida por médicos para mim, gostaria de poder ter essa opção, se me deparar com esse cenário. Claro que temos os tão falados cuidados continuados, e concordo que essa opção esteja disponível e imediata para quem optar por ela.  E para quem essa não é uma opção satisfatória?

 

 

 Vejam este texto:

"Tenho uma relação algo próxima com a morte. Isso não significa que esteja à vontade com ela, não estou e ainda me continua a assustar porque já me obrigou a dizer "adeus" muitas vezes. E eu odeio despedidas. Mas estou próxima da morte porque já lhe escapei, porque já a presenciei, porque já a tive tão perto do meu respirar. Não temos todos?

Via-a muitas vezes, sentia-a muitas vezes, adormeci a pensar nela, muitas vezes. Via-a nos outros e não entendi porque me deixava, por um tempo, sei lá quanto tempo, para trás. Mas via-a em muitos quartos, na minha vida, nos meus sonhos, no meu próprio quarto, e fui olhando desconfiada, encolhida, magoada, mas também grata por me deixar aprender a viver. Fui espreitando pela fechadura e vendo a morte a agir e eu a crescer com ela. A ser mais grata. E nesta relação que fui, de alguma forma, construindo com a morte, sobretudo sempre que percebi que ela estaria na iminência de levar os meus, entendi que a morte não é sempre o pior. A morte não é sempre a "mais difícil de lidar do grupo", a morte, por mais que se choquem os meninos e as meninas que nunca a cheiraram, às vezes é alívio. A morte, às vezes, é a única altura em que pensamos como a vida finalmente foi bondosa em libertar o nosso inocente pássaro daquela amarra.

Nunca quis morrer. Nunca me pegaram na mão para que morresse em paz, com os meus meus do meu lado, mas se isso acontecesse, se essa vontade me surgisse, queria que me tivessem deixado tocar-lhes nos rostos e dizer-lhes as minhas últimas palavras. Porque já me despedi. Já disse adeus, mais do que uma vez e deixei de odiar a morte nessas alturas porque a entendi como outra fase que aí vinha. Que merecia tanto amor, tanto carinho, como o próprio nascimento. Porque a respeitei. Porque aceitei, finalmente, a morte como parte da vida.

Se eles soubessem que o amor é desapego, que o maior grito de amor é saber deixar ir, é respeitar quando se quer ir, quando se quer sossego, quando se quer um pouco mais de alma e muito menos de dor; se eles soubessem que o amor é estar nos risos mas aceitar as lágrimas; é desenhar o caminho do outro, com as palmas das mãos em sangue, mesmo que esse caminho não nos inclua; se eles soubessem que o amor é fazer a mala, dar um beijo na testa e desejar "boa sorte", mesmo que isso nos desfaça; se eles soubessem que o amor é abraçar na morte, porque a morte é de cada um e o amor não agarra, não pega, não força. O amor liberta.

Se eles soubessem ... não teriam tido tanto medo de deixar que escolhêssemos. Não teriam chumbado a eutanásia no Parlamento. Mas eles não sabem, não respeitam e não deixam. E por mais que não tenha o direito de julgar nem de tirar conclusões sobre a opiniões dos outros, não posso deixar de me perguntar:

Saberão eles o que é o amor?

Marine Antunes - escritora"

 

Gosto de viver a vida, fazer o que gosto no verdadeiro sentido de viver. Mas a partir do momento que a nossa qualidade de vida nos é privada, que a vida passa a não ser vida mas um suplicio diário e insuportável, quando a vida não passa de uma leve sombra daquilo que fomos e nos tornamos um peso para famíliares. Qual a melhor opção?

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