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(d)Eficiente Dona de Casa

Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

(d)Eficiente Dona de Casa

Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

"O que é que a menina tem?"


12.06.18

 

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 Imagem deste site

 

 

Hoje entro eu num elevador para ir a mais uma das enúmeras consultas no hospital e atrás de mim uma Sra, olha para mim e perguntou "A menina vai para a Fisioterapia?", eu nem estava a ligar e olhei para a Sra e disse-lhe que não. A Sra amável que era disse "Ah é que como a vi de muletas e quando vou a fisioterapia vejo lá tantas pessoas de muletas, pensei que fosse para a fisioterapia". Passou-me esta resposta pela cabeça "e a Sra como é idosa se calhar está a caminho do centro de dia" mas não sou mazinha e simplesmente não respondi e a Sra continuou a perguntar se tinha uma perna partida. Não, não parti nenhuma perna na minha vida.

 

 

Ás vezes fico um bocado farta de estarem sempre tentar adivinhar o que é que tenho.  Os comentários são quase sempre os mesmos. "A menina partiu uma perna?", " A menina teve um acidente?" ou "O que é que a menina tem?" A minha vontade às vezes é simplesmente abanar a cabeça e dizer que sim, mas fui educada a não mentir e então é sempre um problema.

 

 

Depois às vezes não tenho hipótese de fuga, e lá tento explicar o que tenho com doenças similares (porque o que a médica acha que eu tenho ninguém conhece) e mais conhecidas, lá vem o roll de soluções, "Já experimentou isto ou aquilo?". Depois de alguma conversa vem sempre o comentário  final "Não  desista vai ver que encontra solução." E eu para mim penso, não desistir do quê? A doença faz parte da minha vida é certo, mas não é a minha vida. Tenho felizmente uma vida para além da doença.

 

 

Sei que talvez seja difícil de acreditar, mas se houvesse alguma coisa que se pudesse fazer eu saberia. Acho que para próxima vou abanar a cabeça e pronto. Uma mentirinha piedosa para me poupar a mim. Não tenho qualquer problema de falar do que tenho, mas depende das pessoas com quem falo. Porque o papel no roll dos coitadinhos não me serve. E os olhares de pena não me resolvem nada.

 

 

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