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(d)Eficiente Dona de Casa

Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

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Quando se tem uma doença degenerativa não é o fim do mundo. Aprendemos a adaptar o nosso mundo para funcionarmos. Venho dar dicas úteis para quem tem as mesmas dificuldades. Esta sou eu e o meu dia-a-dia.

Olhares...


07.09.18

OLHAR-PENETRANTE.jpg

 

 

Muitas das vezes é necessário mais uma força, uma persistência grande e alguma casmurrice também, só para sair de casa.

 

Eu posso fazer de tudo, posso usar roupas da última moda (que não uso), posso maquilhar-me, ou até colocar uma cara de "poucos amigos", mas nada adianta, nada faz com que os olhares de "coitadinha da menina" parem.

 

Porque o facto de ser portadora de deficiência não muda, isso não posso mudar e estou bem com isso. Sou portadora de deficiência e aceito todas as limitações inerentes a isso.

 

Agora não posso fazer nada quando me tratam como uma criança, mesmo eu sendo uma mulher adulta. Quando me olham com pena, porque simplesmente estou a beber um café (não devia, mas também tenho direito) ou só pelo simples facto de existir. O facto de ser diferente, de não passar despercebida mesmo que queira, é uma luta diária. Uma luta pelo direito de fazer as coisas que necessito fazer, porque sim vou as compras como toda a gente, vou a consultas, vou onde me apetece e tenho direito a fazê-lo sem que me sinta o centro das atenções.

 

Não sou o centro por coisas boas, porque os olhares falam. Sabemos quando um olhar é simplesmente olhar curioso e quando é olhar de pena ou até de "o que é que está aqui a fazer, devia estar em casa". Nunca me esqueço daquela frase " Os olhos são o espelho da alma" (não sei quem disse), mas aplica-se. Entendo aqueles que simplesmente optam por ficar em casa, é mais simples. Em casa junto daqueles que nos conhecem, que sabem quem somos e como somos, que nos olham além do aspecto físico e que nos amam, é um refugio. Em casa eu não sou a coitadinha, sou simplesmente EU. Sou uma mulher, com tarefas de mulher normal e problemas de mulheres normais.

 

Às vezes não sei o que é que as pessoas estão a espera que aconteça, com os olhares incessantes. Será que estão a espera que me transforme, tipo ET dos Men ln Black, que dispa a minha pele de pessoa e me transforme num monstro? Ou que esteja em algum lugar escondido, o que tenho e assim se ficarem a olhar por muito tempo é revelado? Não sei, mas incomoda, incomoda e chateia. 

 

Claro que esses olhares só têm a importância que agente lhe dá, e há dias que me estou borrifando para eles. Mas cansa, cansa que além das dificuldades que tenho, ter de lidar com pessoas que sem noção, estacionam em lugares que não devem, lidar com o Governo que gosta de nos dificultar a vida, lidar com médicos que muitas das vezes não sabem do que estamos a falar, lidar com pessoas que gostam de nos dificultar a vida, lidar com a pouca informação dada por Entidades, lidar com barreiras arquitetónicas, lidar com dificuldades de acesso....

 

Enfim cansa....

 

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